O FC Barcelona vive uma das noites mais amargas da sua história recente na UEFA Champions League. Depois de ser eliminado nas quartas de final contra o Atlético de Madrid, em partida marcada por polêmicas na arbitragem, Joan Laporta explodiu com toda a sua fúria. Numa aparição urgente convocada na Cidade Desportiva Joan Gamper depois da meia-noite, o presidente culé não se conteve: “Roubaram descaradamente a nossa vitória! Isto não foi um jogo de futebol, foi uma vergonha para o desporto europeu”, exclamou, visivelmente indignado.

A partida, disputada no Estádio Metropolitano, terminou com vitória do Atlético por 2 a 1. Os gols dos Colchoneros aconteceram no segundo tempo, obra de Julián Álvarez e Antoine Griezmann, enquanto o Barcelona abriu o placar com gol de Lamine Yamal aos 22 minutos. No entanto, o resultado foi soterrado por uma avalanche de decisões de arbitragem que, segundo o clube blaugrana, foram sistematicamente prejudiciais.

Clément Turpin, o árbitro francês nomeado pela UEFA, tornou-se o grande protagonista negativo da noite. Laporta foi direto ao apontar: “Turpin e sua equipe VAR decidiram a partida. Ignoraram dois pênaltis muito claros sobre Lewandowski e Raphinha, anularam um gol legal de Pedri por impedimento inexistente e permitiram que nossos jogadores recebessem chutes sem parar.

Segundo o relatório que o Barcelona apresentará formalmente à UEFA nas próximas horas, foram registadas mais de 18 ações polémicas. Entre os mais escandalosos estão: um pênalti não marcado sobre Lamine Yamal aos 48 minutos quando o placar estava 1 a 0, uma falta não marcada sobre Frenkie de Jong na origem do primeiro gol do Atlético e a expulsão injusta de Ronald Araujo aos 65 minutos que deixou o time com dez jogadores na reta final. As imagens televisivas e o VAR mostram claramente como várias destas decisões foram erradas.
Laporta não se limitou a criticar o árbitro. Ele também apontou diretamente para a UEFA: “Levaremos este caso às últimas consequências. Apresentaremos todas as provas, vídeos e análises independentes. Não vamos permitir que a reputação do nosso clube ou a imagem da Liga dos Campeões continue a ser prejudicada. Se a UEFA quiser ser credível, deve agir com força e rapidez”.
A resposta da UEFA foi imediata. Numa decisão que deixou completamente estupefato o mundo do futebol, Aleksander Čeferin, presidente da entidade, anunciou esta manhã a abertura de um processo disciplinar urgente contra o trio de árbitros liderado por Turpin. Além disso, segundo fontes próximas de Nyon, está a ser seriamente considerada a possibilidade excepcional de repetir a primeira mão em campo neutro, algo que não acontecia na Liga dos Campeões há décadas. Esta medida, a confirmar-se, geraria um precedente histórico e provocaria um terramoto no futebol europeu.
O Atlético de Madrid, por sua vez, reagiu com indignação através do seu treinador Diego Simeone. “Vencemos em campo com esforço e sacrifício. É fácil procurar desculpas quando se perde. Respeitamos o Barcelona, mas agora nos preparamos para o retorno com o entusiasmo intacto”, declarou Cholo em entrevista coletiva. Porém, nas redes sociais rubro-brancas existe um clima de preocupação com a possível repetição da partida.
Lamine Yamal, que já havia explodido após a partida anterior, foi mais uma vez um dos mais atuantes. O jovem talento de 18 anos publicou uma mensagem clara em suas redes sociais: “Dói ter seu sonho roubado desta forma. Jogamos para vencer, não para sermos humilhados com as decisões dos árbitros. Força Barça, continuaremos lutando”. Suas palavras foram compartilhadas milhões de vezes e receberam o apoio de milhares de torcedores e ex-jogadores.
Hansi Flick, treinador do Barcelona, também foi muito crítico, embora com mais moderação: “Os meus jogadores deram tudo. Dominámos grande parte do jogo e merecemos seguir em frente. As decisões do árbitro condicionaram-nos demasiado. Agora temos de confiar que as autoridades superiores irão agir de forma justa”.
A controvérsia transcendeu as fronteiras espanholas. Os meios de comunicação de toda a Europa, da Inglaterra à Itália, à Alemanha e à França, dedicam as suas capas a este escândalo. “Laporta declara guerra à UEFA”, “Barça acusa de roubo”, “Čeferin enfrenta o maior desafio de arbitragem do seu mandato” são algumas das manchetes mais repetidas. Figuras lendárias como Pep Guardiola, Xavi Hernández ou mesmo Cristiano Ronaldo comentaram o caso nas redes, demonstrando divisão de opiniões.
Este novo episódio vem juntar-se a uma longa lista de reclamações do Barcelona relativamente à arbitragem nas competições europeias nos últimos anos. Joan Laporta lembrou durante o seu discurso que “não é a primeira vez que isto nos acontece. O clube não pode ficar calado face a estas injustiças sistemáticas”. O presidente anunciou ainda que o Barça solicitará a desclassificação temporária de Clément Turpin e da sua equipa VAR das futuras competições europeias.
Enquanto isso, os torcedores culé foram às ruas. Centenas de torcedores se reuniram esta manhã em frente ao Camp Nou com faixas exigindo “justiça” e “repetição da partida”. A atmosfera na cidade de Barcelona é de raiva contida e de enorme indignação. Em Madrid, os adeptos do Atlético comemoram o resultado desportivo mas reconhecem que a classificação está obscurecida por toda esta polémica.
Do ponto de vista desportivo, o Barcelona dominou claramente a posse de bola (68%) e gerou inúmeras oportunidades de golo. Robert Lewandowski teve pelo menos três oportunidades muito claras que não converteu. O Atlético, fiel ao seu estilo, defendeu com unhas e dentes e aproveitou os espaços no contra-ataque. Porém, o futebol foi relegado a segundo plano devido à magnitude da polêmica da arbitragem.
A acção da UEFA que mais surpreendeu foi a criação de uma comissão independente de especialistas em arbitragem que irá analisar não só este jogo, mas todos os jogos dos quartos-de-final para detectar possíveis padrões de erros ou irregularidades. Essa medida inédita pode se espalhar para outras partidas e gerar um efeito dominó ao longo da competição.
Joan Laporta terminou a sua aparição com uma mensagem direta e emocionante: “O Barcelona não está roubado. Defenderemos a nossa dignidade até ao fim. Queremos que os nossos adeptos, os nossos jogadores e todos os adeptos culé do mundo saibam que não estamos sozinhos nesta luta. A verdade virá à tona”.
O futebol europeu está em suspense. Nas próximas 48-72 horas são esperadas declarações oficiais da UEFA que poderão mudar radicalmente o rumo desta Liga dos Campeões. Entretanto, o Barcelona prepara a segunda mão com o moral elevado e a convicção de que lhe foi cometida uma grave injustiça.
Esta história mostra mais uma vez que no futebol moderno as decisões dos árbitros podem superar os gols. Lamine Yamal, Pedri, Lewandowski e o resto do elenco culé sentiram em primeira mão a frustração de ver um grande jogo escapar devido a intervenções externas. Agora, Joan Laporta e todo o clube decidiram tomar medidas legais e institucionais.
O mundo aguarda com expectativa a resposta definitiva de Aleksander Čeferin e sua equipe. A partida será repetida? Haverá sanções para os árbitros? O formato ou VAR será modificado no futuro? As perguntas são muitas e as respostas podem vir em breve.
O que está claro é que esta eliminatória entre Barcelona e Atlético de Madrid já entrou para a história do futebol por razões muito diferentes das puramente desportivas. A batalha agora é travada fora do campo, nos escritórios de Nyon e nas quadras esportivas.